Valorização médica: Qualidade de vida para médicos

Atualizado em 19/10/2020Estratégia

Para além do glamour: os desafios de profissionais médicos na busca por qualidade de vida

Quando se fala sobre ser médico, muitos destacam o retorno financeiro envolvido na atividade e num certo “glamour” que envolve a profissão. No entanto, a escolha de quem dedica a vida pelas pessoas também esbarra em diversos desafios que começam, inclusive, na dificuldade de ingresso nos cursos de Medicina e no alto investimento que se faz para concluí-lo. Além disso, após a formação, médicos e médicas encaram cotidianamente uma rotina de estresse que afeta diretamente não somente o atendimento do paciente como a saúde daquele que se dedica a cuidar do outros. E, cuidar das pessoas é uma tarefa primordial para a sobrevivência da humanidade. 

Desde a antiguidade, sempre haviam aqueles que se dedicavam exclusivamente à promoção da saúde e bem-estar da população. Assim como na atualidade, este profissional se especializava em determinadas áreas para que pudesse dar uma atenção maior às enfermidades e, assim, prestar um melhor atendimento ao paciente dentro das particularidades de cada patologia. Porém, o acúmulo de demandas, aliada a uma rotina excessiva de trabalho, também se perpetua até os dias atuais e faz com que este profissional mereça uma atenção especial. Afinal, assim como ele cuida das pessoas, ele também precisa de cuidados. 

Vale destacar que, o trabalho científico “Estudo da mortalidade dos médicos no estado de São Paulo: tendências de uma década (2000-2009)”, desenvolvido e publicado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), revelou que os profissionais da Medicina em geral morrem mais cedo que o restante da população. Um outro dado que chamou atenção é o fato de que o estudo sugere que mulheres médicas morreram, em média, 10 anos antes do que os homens médicos. Isso mostra que a saúde da mulher médica carece de um olhar mais atento. Ainda segundo a pesquisa, a maior parte das mortes ocorridas na década passada teve como causa alguma doença do aparelho circulatório, como infartos, seja em número absoluto seja em proporção de mortes. Neoplasias e doenças do sistema respiratório ocupam o segundo e terceiro lugares, respectivamente, no ranking de doenças que vitimaram o profissional médico no período analisado. Sabe-se através desse estudo que, mundialmente, doenças cardiovasculares são responsáveis pela maior parte das mortes.

Além disso, esse mesmo estudo aponta que as causas do adoecimento entre esses profissionais da saúde está ligado ao fato de que a prática médica no Brasil tem se tornado cada vez mais difícil. Isso tem relação direta a fatores diversos que têm produzido um aumento do estresse do médico. A profissão, que já é estressante por natureza, tem enfrentado desafios, principalmente neste momento de pandemia do novo coronavírus, e que aumentam ainda mais o grau de irritabilidade e cansaço. A presença dos convênios médicos que oferecem baixa a remuneração pelas horas de trabalho, a criação incessante de novas escolas médicas, levando ao aumento do número de profissionais e aumento da competição entre os médicos, a necessidade constante de atualização devido ao acelerado desenvolvimento de novos recursos diagnósticos e terapêuticos e a promulgação de novas normas e leis que favorecem o aumento do número de processos na esfera judicial são alguns desses fatores que levam ao adoecimento da categoria.

De acordo com o artigo “A saúde física e mental do profissional médico: uma revisão sistemática”, publicado pela revista Saúde em Debate, o adoecimento de médicos e médicas também está ligado intimamente à influência dessas condições de trabalho, como a falta de infraestrutura, falta de recursos para o atendimento da demanda do serviço, alta jornada de trabalho, baixa remuneração, instabilidade e insegurança. No artigo da Saúde em Debate, a crítica que se faz é de que pouco se trabalha com profissionais médicos as possibilidades de enfrentamento das diversas situações da profissão. 

Diante desse cenário, é fundamental discutir o que leva ao adoecimento precoce desse profissional tão essencial para a sobrevivência humana. Para a Cirurgiã plástica, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e diretora de assuntos profissionais da Associação Médica de Governador Valadares (AMGV), Dra. Rosimara Moraes Bonfim, chama atenção o fato de que, entre médicos, a taxa de suicídio é quase quatro vezes maior que a da população em geral. 

Ela ressalta nesta análise para o Conselho Federal de Medicina, a elevada incidência de suicídio, principalmente, entre as médicas. Segundo a doutora, além dos fatores já mencionados neste artigo, pode-se inferir que esse adoecimento também está ligado à baixa qualidade nos cuidados com dieta e exercícios, talvez pela falta de tempo, em profissionais de ambos os sexos. Porém, nas mulheres, a dupla jornada de trabalho que leva aos cuidados com o lar, o desempenho de papeis sociais como mãe, esposa, também podem ser fatores somados que ajudam a explicar o índice maior de suicídios entre médicas em comparação aos médicos. 

Uma das soluções no enfrentamento do adoecimento desse profissional, apontada pela Dra. Rosimara Moraes Bonfim, é o investimento na qualidade de vida, ou seja, vale dedicar mais tempo para a prática de atividades físicas, além de evitar tabagismo e consumo excessivo de bebidas alcoólicas.  A médica também avalia que é necessário que médicos e médicas dediquem mais tempo para lazer, descanso apropriado e melhoria na dieta. Segundo ela, no ambiente de trabalho e nas relações essas soluções são elementos frequentemente citados no consultório e esclarecidos aos pacientes diariamente, mas que não são praticados pela classe médica.

Recentemente, o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS) lançaram uma campanha para cuidados em saúde mental, com informações de apoio à população, principalmente aos profissionais da saúde que estão na linha de frente de combate ao novo coronavírus. A coleção de oito vídeos e diversas peças publicitárias tem como objetivo ajudar os profissionais a enfrentarem esse momento com tranquilidade. “Estar na linha de frente do combate à COVID-19 ou precisar passar muito tempo sozinho, sem poder estar fisicamente perto de quem a gente gosta, é muito difícil e estressante. Nós queremos, com esses vídeos, passar a mensagem de que, mesmo nesta situação de distanciamento social, é importante manter contato virtual com amigos e familiares e cuidar de si e das outras pessoas”, afirmou Katia de Pinho Campos, coordenadora de Determinantes da Saúde, Doenças Crônicas Não Transmissíveis e Saúde Mental do escritório da OPAS e da OMS no Brasil.

Para além desses cuidados, vale destacar que prezar pela saúde dos médicos e médicas é prezar pela qualidade de serviços prestados à população. Por isso, melhores condições de trabalho, remuneração equivalente às atividades e sistemas de gestão que auxiliam esses profissionais nas suas rotinas também são ações e ferramentas que produzem qualidade de vida. A Support Health integra hoje um rol de empresas preocupadas com o bem-estar desses profissionais, disponibilizando no mercado ferramentas que auxiliam a gestão de clínicas com métodos e técnicas mais modernas. Saiba mais em https://www.supporthealth.com.br/.  

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