IA na consulta médica: o que a Resolução CFM 2.454/2026 diz sobre o uso da tecnologia no consultório

A Resolução CFM 2.454/2026 está em vigor desde 26/08/2026 e trata do uso da inteligência artificial no atendimento médico. Ela diz que, quando a IA é usada como apoio à decisão, esse uso precisa ser registrado no prontuário e o paciente precisa ser informado. O paciente também pode recusar o uso da IA, e o médico deve respeitar essa escolha.

Para o médico que toma decisões sobre a clínica, a pergunta prática é como aplicar essas regras na rotina: quando a IA entra na consulta, onde registrar e o que dizer ao paciente. Este texto responde a essas três perguntas.

O que a resolução diz

A norma trata a IA como ferramenta de apoio. A decisão e a comunicação com o paciente continuam com o médico. Entre os deveres previstos estão:

  • registrar no prontuário o uso de sistemas de IA como apoio à decisão médica;
  • informar o paciente quando a IA tiver papel relevante no atendimento, mantendo a mediação humana;
  • respeitar a recusa do paciente quanto ao uso da IA.

A resolução também proíbe delegar à IA a comunicação de diagnósticos ao paciente. Para a rotina, isso significa que a IA pode organizar informações, mas o diagnóstico e a explicação são responsabilidade do médico.

Quando a IA entra na consulta

No Support IA, a transcrição depende de uma ação do médico: ele aperta o botão para iniciar. A IA só atua a partir desse momento, o que deixa claro em qual parte do atendimento a ferramenta participou.

O que registrar no prontuário

O registro não precisa ser longo, mas precisa ser verificável. Um bom registro responde a quatro perguntas:

  1. Qual ferramenta de IA foi usada.
  2. Em qual etapa do atendimento ela atuou, por exemplo, na transcrição, na organização da anamnese ou na leitura de exames.
  3. Que informações o médico conferiu antes de assinar.
  4. Se o paciente foi informado e se houve recusa.

Exemplo hipotético de registro: “Transcrição e organização da anamnese com apoio de IA, iniciada pelo médico. Conferido pelo médico antes da assinatura. Paciente informado sobre o uso. Sem recusa.”

O ponto mais importante é que o prontuário mostre a supervisão humana. Se a IA organizou um texto ou indicou pontos de atenção em um exame e o médico não conferiu, o registro não cumpre o espírito da norma.

O que informar ao paciente

A informação ao paciente deve ser clara e acessível, sem linguagem técnica. Basta explicar:

  • que a clínica usa um sistema de IA para apoiar a organização das informações da consulta e a leitura de exames;
  • que o médico continua responsável pela avaliação, pelo diagnóstico e pelas orientações;
  • que o paciente pode pedir que o recurso não seja usado no seu atendimento.

Algumas clínicas formalizam essa informação com um termo escrito. A resolução não exige um formato específico, mas um termo bem redigido facilita a comprovação. Vale a orientação de um advogado da clínica para definir o modelo.

Perguntas para fazer ao fornecedor

Antes de contratar ou manter um sistema com IA, o gestor deve conferir alguns pontos:

  • O sistema registra automaticamente a participação da IA no prontuário, ou o registro depende do médico?
  • O médico consegue revisar e corrigir o texto gerado e os pontos de atenção indicados antes de assinar o prontuário?
  • Os dados usados pelo sistema seguem a LGPD, e como o fornecedor comprova isso?
  • Quem responde pelo sistema quando surge uma dúvida sobre o registro?

As respostas mostram se a ferramenta ajuda a cumprir a norma ou se deixa a responsabilidade inteira com a equipe.

Como o Support IA e resolve

O Support IA é um recurso do Support Clinic. Ele faz a transcrição e a estruturação da anamnese durante a consulta, com início acionado pelo médico. Também faz a leitura de exames, indicando os principais biomarcadores e pontos de atenção, e reúne as informações do histórico do paciente em uma visão consolidada.

O Support Lab também auxilia na leitura de exames. Como em todo recurso de apoio, a interpretação e a validação cabem ao médico.

Conclusão

A Resolução CFM 2.454/2026 não proíbe o uso de IA na clínica. Ela exige transparência e supervisão. Para o médico, isso significa três cuidados: registrar o uso no prontuário, informar o paciente e manter o julgamento clínico. Para o gestor, significa escolher ferramentas que tornem esses passos simples de cumprir.

Se a sua clínica já usa IA na consulta ou está avaliando contratar uma ferramenta, fale com um de nossos consultores. Eles podem mostrar como o Support Clinic organiza esses registros e ajudar a montar o fluxo para a sua equipe.

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